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quinta-feira, 2 de junho de 2011

É dificil praticar nossa religião nas cidades? Ou só em Brasilia?...

A algum tempo que eu tinha vontade de denunciar a forma de que casos de intolerância com nossos cultos vão sendo praticados de uma forma velada e por vezes até mesmo nós acabamos deixando passar por isso.


Como o Candomblé cultua suas divindades na força de elementos da Natureza onde cada um tem sua energia, somos ambientalistas em potencial, por isso nossos cultos tem como primordial a preservação do meio ambiente.


O alguidar por exemplo:





É feito de barro exatamente para não atingir o meio ambiente em oferendas como frutas, acaçás, e outras comidas de Santo.

Existe uma lei que preserva a liberdade de culto:
Artigo 5º:
(...)
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;;
(...)
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;



Observe que é inviolável as 
"suas liturgias"
Ou seja, a da missa, do culto da gira, do xirê etc.
O mesmo se aplica a uma procissão,










missa campal,










 culto público 










e rituais na cachoeira,










 nas matas 








ou encruza








.


Mas ainda assim aqui em Brasilia e cidades adjacentes, ainda encontramos casos de intolerância. Vou contar um pouco do que já vivenciei nesse período.


A alguns anos, eu estava numa encruza com uma Lebara de nome Maria Mulambo de uma grande amiga minha  e de minha família que me viu "crescer" e que tinha um Gongá na Quadra 18 de Sobradinho, minha sempre Tia Mery, pelos anos de 1993, por aí...

A festa tinha de tudo que a moça gosta, muitas luzes, bebidas, uma fogueira, tambor e uma apetitosa farofa com muito frango e pimenta.




Lá pelas tantas, em plena encruzilhada, que estava localizada em um local aberto nos aparece um camburão da PM  que antigamente era chamado de Rádio Patrulha e logo o clima
ficou tenso.





Não estávamos fazendo nada demais a não ser cultuar o que
na Umbanda se chama Escoras, mas ao chegar na encruza, logo um dos que estavam dentro, ao ver que éramos "macumbeiros"
começou a tentar nos embaraçar com perguntas sem sentido como:
"Pra que isso, pra que aquilo"
Quando a entidade chefe do trabalho, Dona Mulambo percebeu
um certo deboche, ela assim falou:

"Moço, o senhor é muito bem vindo a nossa humilde oferenda
mas de uma forma correta"
O comandante lá deles continuou o deboche e foi 
isso que Dona Maria falou:
"Será bom o senhor aqui mesmo, quem sabe a gente não esclarece esse
segredo que o senhor guarda a sete chaves doutor?
E que pode fazer o senhor que põe os outros nas grades ficar atras 
delas?"

O cara mudou a fisionomia na hora,
ele nunca tinha visto essa pessoa e agora essa.
Só se ouviu a ordem dentro da patrulha:
"Vamo cair fora que essa mulher tá louca!"

A festa continuou e até mais animada rs.

Claro que se não fosse a forma estranha de se tratar adeptos de Umbanda
todos são bem vindos.
Acontece em muitas e muitas casas de santo, mas infelizmente
vira e mexe uma Dona Mulambo como essa
tem que mostrar um pouquinho como é
que as coisas funcionam...



Olha um pouquinho mais de Dona Mulambo...


MARIA MULAMBO

PONTO DE MARIA MULAMBO
O teu pó é real, o teu pó é real
Mulambo é pombagira que carrega uma vassoura
Vem da calunga vem, vem da calunga vem
Maria Mulambo que carrega uma vassoura
Sua lenda diz que Maria Mulambo nasceu em berço de ouro, cercada de luxo. Seus pais não eram reis, mas faziam parte da corte no pequeno reinado.
Maria cresceu sempre bonita e delicada.
Com seus trejeitos, sempre foi chamada de princesinha, mas não o era.
Aos 15 anos, foi pedida em casamento pelo rei, para casar-se com seu filho de 40 anos.
Foi um casamento sem amor, apenas para que as famílias se unissem e a fortuna aumentasse.
Os anos se passavam e Maria não engravidava.
O reino precisava de um outro sucessor ao trono.
Maria amargava a dor de, além de manter um casamento sem amor, ser chamada de árvore que não dá frutos; e nesta época, toda mulher que não tinha filhos era tida como amaldiçoada. Paralelamente a isso tudo, a nossa Maria era uma mulher que praticava a caridade, indo ela mesma aos povoados pobres do reino, ajudar aos doentes e necessitados. Nessas suas idas aos locais mais pobres, conheceu um jovem, apenas dois anos mais velho que ela, que havia ficado viúvo e tinha três filhos pequenos, dos quais cuidava como todo amor. Foi amor à primeira vista, de ambas as partes, só que nenhum dos dois tinha coragem de aceitar esse amor.
O rei morreu, o príncipe foi coroado e Maria declarada rainha daquele pequeno país.
O povo adorava Maria, mas alguns a viam com olhar de inveja e criticavam Maria por não poder engravidar.
No dia da coroação os pobres súditos não tinham o que oferecer a Maria, que era tão bondosa com eles. Então fizeram um tapete de flores para que Maria passasse por cima.
A nossa Maria se emocionou; seu marido, o rei, morreu de inveja e ao chegar ao castelo trancou Maria no quarto e deu-lhe a primeira das inúmeras surras que ele lhe aplicaria. Bastava ele beber um pouquinho e Maria sofria com suas agressões verbais, tapas, socos e pontapés.
Mesmo machucada, nossa Maria não parou de ir aos povoados pobres praticar a caridade. Num destes dias, o amado de Maria, ao vê-la com tantas marcas, resolveu declarar seu amor e propôs que fugissem, para viverem realmente seu grande amor.
Combinaram tudo.
Os pais do rapaz tomariam conta de seus filhos até que a situação se acalmasse e ele pudesse reconstruir a família. Maria fugiu com seu amor apenas com a roupa do corpo, deixando ouro e jóias para trás.
O rei no princípio mandou procurá-la, mas, como não a encontrou, desistiu.
Maria agora não se vestia com luxo e riquezas, agora vestia roupas humildes que, de tão surradas, pareciam mulambos; só que ela era feliz.
E engravidou.
A notícia correu todo o país e chegou aos ouvidos do rei.
O rei se desesperou em saber que ele é que era uma árvore que não dá frutos. A loucura tomou conta dele ao saber que era estéril e, como rei, ele achava que isso não podia acontecer.
Ele tinha que limpar seu nome e sua honra.
Mandou seus guardas prenderem Maria, que de rainha passou a ser chamada de Maria Mulambo, não como deboche mas, sim, pelo fato de ela agora pertencer ao povo. Ordenou aos guardas que amarrassem duas pedras aos pés de Maria e que a jogassem na parte mais funda do rio. O povo não soube, somente os guardas; só que 7 dias após esse crime, às margens do rio, no local onde Maria foi morta, começaram a nascer flores que nunca ali haviam nascido. os peixes do rio somente eram pescados naquele local, onde só faltavam pular fora d’água. Seu amado desconfiou e mergulhou no rio, procurando o corpo de Maria; e o encontrou. Mesmo depois de estar tantos dias mergulhado na água, o corpo estava intacto; parecia que ia voltar à vida. os mulambos com que Maria foi jogada ao rio sumiram.
Sua roupa era de rainha.
Jóias cobriam seu corpo.
Velaram seu corpo inerte e, como era de costume, fizeram uma cerimônia digna de uma rainha e cremaram seu corpo.
O rei enlouqueceu.
Seu amado nunca mais se casou, cultuando-a por toda a vida, à espera de poder encontra sua Maria.
No dia em que ele morreu e reencontrou Maria, o céu se fez azul mais límpido e terve início a primavera.
Assim a nossa Maria, que agora era rainha Maria Mulambo, virou lenda; e até hoje é invocada para proteção dos amores impossíveis…



Tenho mais casos...
Até a próxima e motumbá!!!








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