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terça-feira, 12 de julho de 2011

O dia que em uma oferenda pra caboclos quase iríamos ser presos todos com caboclo e tudo!

No ano precisamente de 2005, fomos fazer nossa anual entrega ao caboclos na Mata como já relatei em outros posts que começou em 1992. Estávamos presentes:eu, minha esposa Yá Sueli de Omolu, minha irmã de santo Raimunda Luzia e minha filha mais velha Joice que à época ainda tinha 9 anos.

A Mata estava linda e levamos tudo o que a gente sempre levava: oferendas, tambor, frutas, vinho, charutos e velas, além das fitas que eram verdes, azuis, amarelas, brancas, etc...




No inicio eu mesmo assumi o tambor e entoamos nossas homenagens, na hora da entrega, como sempre, veio o Caboclo Tupinambá para receber o que tínhamos levado.







Agora conto o relato que foi me passado após todo o drama com a maior riqueza de detalhes que foram colhidos após esse momento.

Segundo o que me passaram foi que "após o fim do ritual, o caboclo ficou ainda conversando com minha comadre Raimunda e a Su e Joice foram na frente levando as coisas que iriam voltar mas foram interrompidos pela volta ofegante de Sueli.





Esqueci de falar mas ficamos na Mata mais ou menos de 14h as 17h.




Nesse meio tempo, um policial ambiental viu meu carro parado na entrada da Mata que estava bem sinalizada de sua proibição de entrada, então desconfiado resolveu comunicar aos superiores que enfiam entraram em contato com o Departamento de Trânsito e rastrearam meu endereço pela placa do carro.








Minha cunhada que ficou em casa conta que entraram na nossa rua com a sirene ligada (enquanto q gente tava todo tranquilo cantando para os caboclos dentro da Mata) bateram no portão e perguntaram, os policiais militares de Brasilia, se Ricardo Gama proprietário do carro Tipo 1.6 azul morava ali...






Daí minha cunhada se desesperou, pensou no pior.

Pra complicar o policial disse que a suspeita era que eu tinha sido sequestrado e o carro desovado nas mediações de uma mata, ao saber pela minha cunhada que eu tinha saido com minha esposa e minha filha o pavor ficou maior.

Junto com isso uma viatura foi a mata e constatou o carro em situação vulnerável, foi nesse tempo que a Su veio na frente e pode ver toda a cena dos policiais na mata.

Essa parte foi a mais delicada, porque Seu Tupinambá como sempre fez e faz, acompanhou as pessoas até o final da Mata e segundo testemunhas o policial soube de Sueli que o marido dela, o Ricardo, eu, estava vindo e logo quando o caboclo chegou perto a pergunta foi:" O senhor é o Sr Ricardo?" o caboclo:"Não senhor, me chamo Tupinambá". " O senhor é proprietário desse carro?" O caboclo: "não senhor" Então Sueli interveio e conversou com Seu Tupinambá para terminar o trauma! Segundo contam até hj seu Tupinambá disse: "eu vou embora e vcs conversam com meu menino..." Segundo todos a serenidade da entidade contrastava com o nervosismo que o momento exigia. Então o chefe do batalhão aguardou Seu Tupinambá subir, sem antes é claro, terminar seu vinho e seu charuto."





Depois eu mesmo vi, vi vários policiais, a Su bem nervosa mas ainda ouvi o chefe falar assim: "Senhor Ricardo?Já voltou? É o senhor mesmo?" Eu "Sim, o que está acontecendo?" O policial falou:" Agora temos que conversar" Daí  eu tive que passar embaixo do arame e realmente conversar com eles da PM. 







Minha amiga era vizinha de um e o chefe disse que nosso problema não era ter feito o ritual, mas sim por adentrar reservas( a partir daquele ano pq sempre entramos e não era cercado). Ele disse também que estava sinalizada a área, e eu parei bem embaixo da placa.





Disse que eu podia ser enquadrado nessa parte de adentrar reservas ambientais e que o policial ambiental que fez a denuncia insistia muito pra gente ir à delegacia, mas que tinha visto que era um ritual religioso que não tínhamos retirado nada da mata e que nosso fim era estritamente religioso.







Então, nem me pediu identidade, documento do carro nem nada, mas nesse quesito a Policia Militar de Brasília esteve bem treinada para dar créditos aos que cultuam a natureza, pq se somos de Candomblé, temos que ser ambientalistas.





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